quinta-feira, 3 de novembro de 2011





Cartas para mim

A garota crescida quer brincar de bonecas, quer ser adolescente sem saber (ou sabendo) que isso já não cabe em seu tempo, ela é assim, horas menina, horas mulher podia escolher tudo podia escolher tudo no mundo e nesse tudo optou por ser sozinha, abriu mão de tudo, abriu mão de um tudo que na verdade não era nada quis ser assim pai mãe, mulher...mulheres, e quantas mulheres cabem dentro dela, são tantas e tão diferentes umas das outras.

O clima de porto é quente, o povo tem a fala mansa e o sorriso fácil, e meu coração  que sempre foi frio aos poucos passa para o morno, e se aquece com a falta de movimento de uma cidade pequena, e com a simplicidade de tudo, talvez fosse essa calma que faltava a mim, a calma de olhar para dentro de mim e me ouvir, mais tenho que concordar que minha fala para comigo ainda me parece estranha, eu ainda não me entendo, mais aos poucos o corpo cria para com a alma um dialecto próprio, o que não significa que ambos se entendam mais poderão manter um contato ainda que superficial

Meus pés já acostumados com o solo paulistano, aos poucos se acostumam com as ruas de pedra de Porto, hoje mesmo fui capaz de usar um salto quinze agulha e tropeçar somente duas vezes, o que é uma grande vantagem, pois na primeira vez eu mal conseguia dar um passo sem tropeçar.

Entretanto aqui ainda não sou aquela que eu costumava a ser, eu que nunca coube dentro de mim, hoje to tão encolhida que meu corpo parece ate grande de mais para essa minha alma mirrada, to em busca daquela mulher destemida que eu fui, aquela que tinha aqueles olhos intimidadores. Não quero ser essa garota tímida que se desculpa por tudo, por fim to seguindo a vida